sábado, 16 de fevereiro de 2013

Gastroduodenite

A Gastroduodenite são é uma forma inflamatória, tanto aguda como crónica da mucosa do estômago e do duodeno. Estas doenças estão em crescimento, por razões lógicas: comida rápida ingerida rapidamente, ausência de um período adequado de repouso depois da refeição, consumo de alimentos não totalmente naturais, etc., põem à prova o estômago, o qual denuncia, por vezes, o esforço a que se vê submetido. Tudo isto se repercute, tanto na alimentação do indivíduo, como no seu carácter. Daí a importância da doença sobretudo do ponto de vista social.


Gastroduodenite


No que respeita à patogénese, admitese que o processo inflamatório provocado pela acção repetida dos factores acima mencionados se auto-alimenta por efeito de mecanismos auto-imunitários. 0s sintomas são umas vezes vagos, outras muito concretos, mas sempre incómodos e esgotantes. 0 doente acorda com um sabor desagradável na boca e, por vezes, com náuseas. 0 apetite pode ser normal ou escasso: neste último caso, tenta-se estimulá-lo, através de alimentos muito saborosos, os quais, contudo, tendem a piorar a situação. Durante a refeição, aparece imediatamente a sensação de saciedade, de plenitude e de inchaço do estômago. Esta aumenta, depois da refeição, quando aparecem, também, sensação de peso, bocejos, eructação, ardores e sonolência.


A função intestinal é irregular, registando-se, geralmente, prisão de ventre. Logicamente, esta sintomatologia provoca, como resultado final, uma diminuição da alimentação e por conseguinte , emagrecimento. O facto de passar a maior parte do dia a tentar digerir tem, a longo prazo, consideráveis repercussões sobre a psique do indivíduo. Assim, a pessoa que sofre de gastrite mostra-se deprimida, facílmente irritável e triste. Juntamente com estas formas, convém lembrar a gastrite hipertrófica – ou doença de Ménétrier -, caracterizada pela presença de pregas gástricas gigantes, que adquirem um aspecto característico, semelhante às circunvoluções cerebrais. A sintomatologia subjectiva é semelhante à das formas crónicas atróficas: a deterioração das condições gerais é uma constante nestes casos, caracterizados, ainda, pelo fenómeno da perda de albumina plasmática, através da mucosa gástrica para o lume do estômago.


EXAMES COMPLEMENTARES


A maior contribuição em matéria de diagnóstico provém, sem dúvida, da endoscopia gástrica; no entanto, no caso da gastrite crónica, a radiologia também pode proporcionar dados muito úteis. 0 elemento maìs fìável a esse respeito é o proporcionado pelo exame microscópico de uma amostra de mucosa gástrica, colhida no decurso do exame gastroscópico. Com efeito, o principal problema que o diagnóstico coloca é a diferenciação entre gastroduodenite e úlcera gástrica ou duodenal ou presença de
uma forma tumoral.


TRATAMENTOS DIETÉTICOS


A cura de uma gastrite crónica é difícil e exige muita paciência. Se existir uma causa específica conhecida, o problema está resolvido; no entanto, se não for possível determinar um factor responsável – como acontece na maioria dos casos -, é necessário que o doente tenha pacìência e siga rigorosamente as directrizes terapêuticas, se quiser obter resultados. A importância da dieta ainda está em vias de avaliação. De qualquer modo, é necessário comer devagar, mastigando bem.


Em segundo lugar, devem consumirse refeições pouco abundantes, mas frequentes: a produção ácida, por parte do estômago é menor com uma dieta fraccionada, do que com uma dieta constituída por almoço e jantar abundantes. Leite, contrariamente ao que se julga, estimula a secreção ácida do estômago, Nem maior grau do que a cerveja, a cocacola ou o café. Pelo contrário, o álcool não é um forte estimulante da hipersecreção ácida; só se for consumido em quantidades e em concentrações muito altas, pode determinar lesões agudas da mucosa gástrica, pelo que é preferível evitá-lo.


O café, mesmo o descafeinado, estimula a secreção gástrica e acentua as dores de estômago, embora o risco de desenvolver uma gastrite ou uma úlcera não pareça aumentar com o consumo do café. Em resumo, do ponto de vista dietético, é conveniente estimular o doente a evitar os alimentos e as bebidas que causam ou agravam as suas perturbações. Por fim, relativamente ao tabaco deve sublinhar-se que o conselho de não fumar constitui uma verdadeira medida preventiva, dado o importante papel que o tabaco desempenha no desenvolvimento e agravamento da gastrite.


TRATAMENTO FARMACOLÓGICO


Não raramente, torna-se necessário associar, ao tratamento dietético, algum medicamento, a fim de melhorar a sintomatologia digestiva dependente da alteração da função secretora do estômago ou, então, para mitigar a sintomatologia dolorosa, quando presente. Entre os medicamentos sintomáticos, são muito eficazes nas gastrites hipersecretoras os anti-ácidos: aconselha-se a utilização de uma mistura, em partes iguais, de bicarbonato de sódio, sal de magnésio e carbonato de cálcio, podendo modificar-se as proporções da mistura, em presença de obstipação – aumento da dose de sal de magnésio – ou de diarreia – aumento da dose de carbonato de cálcio.


Para qualquer circunstância, existem no mercado numerosos preparados, de composição diversa. São, ainda, eficazes os medicamentos de acção antiespasmódica suave e os reguladores do peristaltismo – movimentos – do estômago e do duodeno. Nas gastrites crónicas atróficas, que representam o estádio final de um processo inflamatório crónico, para além das medidas de carácter geral, é necessário fazer frente a uma série de consequências, em certas ocasiões graves. A atrofia das células parietais produz a queda ou o desaparecimento da acidez gástrica: esta situação caracteriza-se pela tendência para um esvaziamento mais rápido do tracto digestivo – diarreia gastrogénica – e por uma anemia por falta de ferro, devida a uma menor absorção desse elemento, a nível do estômago.

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