segunda-feira, 31 de maio de 2010

As drogas afectam a fertilidade?

As drogas recreativas afectam a fertilidade?


Independentemente do que queira acreditar, não existem drogas recreativas "seguras" para consumir quando estiver a tentar engravidar, nem tão pouco há níveis "seguros" de consumo dessas drogas. Todas as drogas recreativas causam efeitos na fertilidade, quer seja danificando a produção espermática quer seja porque afectam a produção hormonal masculina e/ou feminina.


Embora os efeitos das drogas no seu metabolismo sejam reversíveis, pode demorar vários meses para que isso aconteça e durante esse tempo você poderá engravidar e o seu filho pode sofrer os efeitos das drogas que ainda se encontram no seu organismo. Se utilizar drogas recreativas de forma esporádica, pare já. Se for toxicodependente, vai precisar de procurar ajuda profissional para garantir que as larga o mais depressa possível
e para dar a si mesma a melhor oportunidade de conceber uma criança saudável.



Marijuana


Fumar cannabis é prejudicial em especial para a fertilidade masculina. Um dos seus principais ingredientes activos, o tetrahidrocanabiol (THC), está quimicamente relacionado com a testosterona e, mesmo quando tomada em pequenas quantidades, faz baixar os níveis de testosterona, diminui o volume de fluido seminal, danifica a motilidade espermática, e provoca um aumento nos números de espermatozóides anómalos e uma contagem espermática mais baixa. Uma vez que também reduz a libido, é pouco provável que conduza a uma boa saúda sexual! No caso das mulheres, a cannabis pode ter um efeito tóxico no óvulo em desenvolvimento e prejudica a ovulaçao. As mulheres que fumam esta droga também segregam pequenas quantidades de THC no seu fluido vaginal. Os espermatozóides que entrarem em contacto com ele absovem a droga e a sua motilidade é afectada.



Cocaína, opiatos e ecstasy


Estas drogas revelaram todas exercer efeitos dramáticos tanto na fertilidade masculina como na feminina. Os homens que tomam estas drogas muitas vezes sofrem de redução de libido,espermatóides com formato anómalo e uma fraca contagem espermática. Há um maior risco de problemas genéticos no esperma. As mulheres que as consomem muitas vezes sofrem de problemas ovulatórios, irregularidades menstruais e uma reduzida reserva
ovariana além de haver uma ligação conhecida entre os bebés que nascem com defeitos congénitos e o consumo destas drogas.


A cocaína danifica o funcionamento das trompas de Falópio e aumenta de forma signficativa o risco de aborto espontâneo. Esta droga também penetra na placenta e afecta o bebé dentro do útero. Este pode nascer toxicodependente e sofrer de graves sintomas de ressaca além de possíveis danos cerebrais.



Esteróides anabolizantes


Os praticanies de culturismo (invariavelmente homens) que tomam esteróides anabolizantes vão sofrer de efeitos secundários muito claros e graves já que estas drogas afectam a produção hormonal. Em consequência
disso, a função testicular é afectada e, dentro de alguns meses, a produção espermática é reduzida de forma drástica e muitas vezes chega mesmo a cessar por completo. A motilidade e a morfologia também são danificadas . A diminuição da libido também é um efeito secundário conhecido. Pode chegar a demorar entre 12 meses e três anos até que os efeitos dos esteróides anabolizantes sejam revertidos.


O meu companheiro fuma com regularidade. Ele também tem que parar?
Os homens que fumam apresentam uma contagem espermática 30 a 70 por cento inferior à dos homens não
fumadores. Também possuem um número mais elevado de anomalias no formato e na função dos espermatozóides e ainda uma motilidade mais fraca. Pensa-se que o tabaco seja responsável por mais de 120 000 casos de impotência masculina todos os anos em homens com idades compreendidas entre os 35 e os 50 anos.


Quanto demora até que a fertilidade melhore se eu deixar de fumar?
Pesquisas realizadas indicam que, cerca de um ano depois de pararem de fumar, as ex-fumadoras não demoram mais tempo a engravidar do que as mulheres que nunca fumaram. Mesmo dois meses depois de terem parado de fumar, os casais que estavam a tentar a FIV melhoraram de forma significativa as suas hipóteses de conceberem.


De que maneira o tabaco afecta as hipóteses de êxito num tratamento de FIV?
As mulheres que se submetem a um tatamento de FIV e que fumam precisam de quase o dobro das tentativas para conceberem do que as mulheres não fumadoras. Elas precisam de dosagens mais elevadas de gonadotrofinas de estimulação ovariana e são recolhidos e fecundados menos óvulos. Também apresentam uma taxa de abortos espontâneos superior às não fumadoras. Além do mais, um estudo canadiano demonstrou que as probabilidades de uma mulher conceber apresentam uma melhoria mínima se o seu companheiro fumar, em vez
dela: mais ou menos metade da percentagem das não fumadoras. Por outras palavas, não importa se é o homem ou a mulher que fuma: a FIV e o tabaco não combinam!


Por que razão o tabaco é prejudicial depois de verificar que estou gravida?
Assim que conceber, se for fumadora correrá um risco duplo de sofrer aborto espontâneo, porque o tabaco afecta directamente o fluxo sanguineo no útero. De acordo com um estudo recente no Reino Unido, o tabaco e o fumo passivo são responsáveis por mais de 5000 abortos espontâneos por ano. Além disso, visto que o tabaco impede que a placenta receba uma quantidade suficiente de irrigação sanguínea e, por conseguinte, de oxigénio, ela pode não funcionar como deveria e o crescimento do feto pode ser retardado. Em resultado disso, as mulheres que fumam apresentam um aumento de 50 por cento no risco de partos prematuros e duas vezes mais a hipótese de terem um bebé com pouco peso ao nascer.


O tabaco também afecta os cílios (projecções microscópicas semelhantes a cabelos) que revestem as trompas de Falópio, por isso as fumadoras correm um risco mais elevado de terem uma gravidez ectópica, uma vez que o ritmo do avanço por parte do óvulo fecundado ao longo das trompas pode ser reduzido. Uma mulher grávida que fume corre um risco maior de vir a ter complicações sérias durante a gravidez, como por exemplo pré-eclampsia (com sintomas de tensão alta e inchaço dos pés, das pernas e das mãos) e descolamentos da placenta (quando a
placenta se separa do revestimento do útero, privando o feto de oxigénio). Também há indícios de que o tabaco aumenta a incidência de malformações fetais, como por exemplo fenda palatina. A morte perinatal (nados-mortos e morte durante o primeiro ano de vida) é também muito mais elevada entre os bebés de mulheres que fumam.


Como  posso parar de fumar?
Não existe nenhuma razão válida para que deva continuar a fumar enquanto estiver a tentar conceber. E dado que os beneficios começam a revelar-se cerca de dois meses depois de parar, parece óbvio que, se você fumar, deverá parar já hoje e fazer tudo o que puder para garantir que para de vez. A terapia cognitivo-comportamental (TCC), que visa mudar os padrões de pensamento ou de comportamento  e a hipnoterapia encontram-se entre os
vários programas bastante eficazes que podem ajudar os fumadores a abandonarem o vicio. Há clínicas que ajudam as pessoas a deixar de fumar, por isso peça pormenores ao seu médico assistente ou a uma enfermeira diplomada. Auxiliares como os adesivos e as pastilhas elásticas de nicotina também se vendem nas farmácias ou nos hospitais.


Sugestões
Certifique-se de que ambos deixam de fumar e não tenha medo de pedir ajuda.

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